Escrito por Mayara Padilha on maio 10, 2019 in ABINFER News

Para manter a atratividade do Estado para a cadeia da indústria automotiva, o Governo de São Paulo anunciou que as fabricantes de automóveis poderão usar os créditos acumulados de Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços, o ICMS,retido na exportação de veículos para a compra de ferramentas.Jundiaí e região contam com várias empresas que atuam neste setor da economia.

Batizado de Pró-Ferramentaria, o programa foi regulamentado no final do ano passado pelo Decreto 63.785/18 e agora depende apenas da minuta de regulamentação pelo secretário Estadual da Fazenda, Henrique Meirelles e do anúncio oficial do governador João Dória.

A iniciativa vai injetar na economia nos próximos 8 anos cerca de 8 bilhões de reais, que deverão ser usados exclusivamente dentro do Estado de São Paulo, para a compra de ferramentais, que são os moldes e matrizes para a injeção das partes plásticas dos automóveis, pelas montadoras.

O programa foi tema da palestra “Como usar os Créditos de ICMS do Programa Pró-ferramentaria”, realizada esta semana em Vinhedo e organizada pela Indústria Metalúrgica Usifer, uma das principais ferramentarias do Estado, com sede em Vinhedo.

O encontro serviu para explicar como irá funcionar o programa e tirar dúvidas dos representantes das empresas sistemistas que fazem a injeção de peças plásticas para as montadoras de automóveis. Muitas dessas empresas funcionam em Jundiaí e em cidades da região.

A palestra foi ministrada por Paulo Braga, um dos idealizadores do programa, e que atua como presidente da Câmara Setorial de Ferramentas e Modelações da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e vice-presidente da ABINFER (Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais).

Segundo Braga, o Pró-ferramentaria vai ajudar a estabelecer competitividade das fabricantes de moldes paulistas com as empresas internacionais. Ele explica que um dos problemas enfrentados pelas ferramentarias é a competição com empresas asiáticas, que contam com incentivos em seus países de origem e são mais competitivas. “As montadoras preferem, em muitos casos, importar moldes que ofereçam preços mais baixos. O objetivo do programa é fazer que as empresas brasileiras, que tem um alto nível de especialização atendam essa demanda e consigam competir em igualdade”, afirma.

Segundo o engenheiro Élcio Fontanesi, diretor industrial da Usifer, a expectativa é que no primeiro ano o Pró-ferramentaria deve injetar cerca de R$ 1 bilhão em recursos, que serão usados no nosso Estado.  “Isso vai permitir que as montadoras de automóveis e os sistemistas usem esses créditos para o pagamento dos moldes, gerando demanda e novos postos de emprego”, comemora Fontanesi.

Para o diretor comercial da empresa, Alexandre Mori, a grande procura por informações sobre o programa e como esses recursos poderão ser usados motivaram a organização dessa primeira palestra.

Segundo Mori, as montadoras geram todos os anos uma grande quantidade de ICMS de exportação, que é retido pelo governo. O acúmulo desses créditos do imposto cria um “congelamento” de parte do capital de giro dessas empresas.

“A liberação desses recursos vai trazer benefícios para toda a cadeia produtiva, gerar postos de trabalho, estimular investimentos e beneficiar o próprio Estado, que no final irá arrecadar mais ICMS”, conclui Mori.

Texto: Joaquim Rimoli

Fonte: http://jundiagora.com.br/liberacao-creditos/